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Artigo: Ataque ao candidato e ataque à democracia

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Um episódio há pouco – o esfaqueamento de Jair Bolsonaro – em ato de campanha, é inadmissível. Segundo informações, foram seis pontos para fechar o corte. Felizmente, seu ferimento será curado, mas as cicatrizes na democracia, na sociedade brasileira, permanecerão, por logo tempo, a causar incomodo, vergonha e medo.

É fato que o nível discursivo dos candidatos está num tom acima do aceitável, assaz virulento, de ataques pessoais, de desrespeito aos adversários, enfim, situação que, desde de 2014, tem deixado o país fraturado. Na guerra, há inimigos, que devem ser eliminados; na política, há adversários e, neste caso, há necessidade de convivência, do debate, do convencimento.

O respeito deve prevalecer, pois, na democracia, o adversário hoje pode ser o aliado amanhã. Não faz muito, uma caravana de apoio ao ex-presidente Lula foi alvejada por tiros, comprovados, sem apresentação do autor dos disparos, após investigação. À época, fiz considerações repudiando o ataque, como faço agora: não se pode, jamais, em tempo algum, solapar a democracia, o Estado Democrático e de Direito, buscando ferir ou matar políticos, em campanha, ou no exercício do mandato.

O ódio não pode prevalecer sobre a razão, sobre o interesse republicano. A vida, a liberdade e nossos bens são garantidos por nossa Constituição. O episódio de hoje apequena, avilta nossa democracia, não por ter sido contra um candidato, Jair Bolsonaro, mas por ter sido o “candidato”, seja qual for, de qual partido for, de qual ideologia for.

O ataque será, por certo, explorado à exaustão, pela campanha de Bolsonaro e pelos adversários. Qual será o impacto em sua intenção de voto ou em sua rejeição só será possível verificar, apenas, em nova rodada de pesquisa eleitoral. O tom da campanha de Bolsonaro é, sem dúvida, assentado em determinada agressividade discursiva. Poucos dias atrás, ele afirmou, em evento, publicamente, que deveriam “metralhar a petralhada”. Tal afirmação, infeliz, deve ser combatida e não há argumento que sirva de explicação: há, por exemplo, quem afirme que “isso foi só uma afirmação retórica, não um desejo de se concretizar um atentado”.

Realmente, não creio que passaria pelas intenções do ex-capitão metralhar adversários, mas não foi a primeira vez que afirmações desse teor foram, por ele, proferidas. Os democratas devem, sempre, condenar a violência verbal e, sobretudo, a violência física, em todos os seus graus. Sobra violência e falta debate, faltam ideias, falta respeito e tolerância.

Enquanto escrevo, as informações e notícias, continuam chegando. O ambiente já de temperatura elevada, entrou em ebulição. Todos, indistintamente, saímos perdendo, no campo da política e no da civilidade. Espero que, a partir das notas divulgadas pelos candidatos, pelo Presidente Temer, tenhamos um ponto de inflexão, como elemento para repensarmos nossos caminhos, nossos rumos como nação.

Nossa política, sabemos, não é das melhores, nossa representatividade padece de qualidade, mas essa política, a que temos, é melhor que a ausência da política. O fim da política e dos políticos significa a mudança da força do argumento pelo argumento da força.

 

Texto escrito por: Rodrigo Augusto Prando é Cientista Político e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie. É Bacharel e Licenciado em Ciências Sociais, Mestre e Doutor em Sociologia, pela Unesp/FCLAr.

Sobre o Mackenzie: A Universidade Presbiteriana Mackenzie está entre as 100 melhores instituições de ensino da América Latina, segundo a pesquisa QS Quacquarelli Symonds University Rankings, uma organização internacional de pesquisa educacional, que avalia o desempenho de instituições de ensino médio, superior e pós-graduação.

Informações: Assessoria de Imprensa Universidade Presbiteriana Mackenzie

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