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Alunos de Itanhaém criam contos e usam suas vozes para dar vida às histórias

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Entre todas as artes, a escrita tem o poder transportar o leitor a qualquer parte do mundo com um simples folhear de páginas. “Gosto mesmo é de suspense”, entoou a estudante escritora Laura Júlia Bellan Assunção, de 12 anos, dona da voz que dá um tom enfático e misterioso à narrativa. Os efeitos sonoros deixam a história mais envolvente e assustadora: a regra aqui é dar asas à imaginação. Com os olhos sobre o caderno, a jovem dá vida à sua obra: escrita, ilustrada e, agora, cheia de agudos e entonação. Uma proposta da Escola Municipal Profª Maria Aparecida Soares Amêndola que vai além dos livros ao transformar contos em audiobooks para alunos com deficiência da Rede de Ensino.

Engana-se quem pensa que o trabalho está no início. As histórias em audiolivros, produzidas pelos alunos, são uma extensão do projeto ‘Gostar de Ler – Escritores em Ação’, que incentiva, desde 2016, a formação de leitores, teatro de fantoche, interpretação e produção textual e inserção da família no contexto escolar, estimulando a criatividade, o senso crítico e o protagonismo juvenil. Premiado no mesmo ano de sua implantação na escola pelo Troféu Proler e Escreler, da Universidade Santa Cecília (Unisanta), de Santos, o projeto conquistou o primeiro lugar na categoria escola.

“Há boas razões para acreditar que o livro é uma ferramenta transformadora, um tesouro que guardamos na memória”, ressaltam a assessora de orientação educacional da escola, Alessandra Aparecida Sales Cavalcante e a diretora Sandra Regina Veloso. “O projeto foi a realização de um desejo antigo de estar realmente trazendo a leitura aos alunos, levando-os a conhecer o universo das letras. Conversando com uma professora, ela me relatou uma viagem para a Europa, e a riqueza dos detalhes com a qual me contou me fez viajar. Este foi o start para as ações”, conclui Alessandra.

Com nove páginas e três desenhos intercalados com capítulos, ‘Sexta-feira do Terror’ é uma ficção que transita pelo suspense. A ideia é transformar o enredo numa série de três volumes, com histórias interligadas. Somente no ano passado, Laura leu 47 obras de autores brasileiros e internacionais. “Meu predileto é o Pedro Bandeira, sem dúvida”. Sua história foi uma das primeiras a se tornar audiobook. “Eu não sabia que escrevia tão bem. Quando soube que meu livro seria ouvido por outras crianças, principalmente as que não enxergam, fiquei muito animada”.

Os livros ficam nas prateleiras da sala de leitura à disposição de qualquer pessoa. Não basta olhar, tem que pegar e levar para casa. Agora, as histórias sobem para outro patamar, atingindo diretamente os estudantes da inclusão. Hoje, são mais de 90 obras espalhadas pela unidade escolar que aos poucos são transformadas em versões acessíveis.

Outro estudante que tem talento de sobra para a escrita é Gabriel Matheus Rodrigues, de 12 anos. Falador, o garoto gosta mesmo é de discutir sobre os personagens e de descrever prosas sombrias que pretende inserir no próximo livro: tudo está em análise. Com um caderno nas mãos, ele anota cenas de filmes e capítulos de livros. “Tento prestar muita atenção, sou um observador. Isto me ajudará na próxima obra”, diz o menino que pretende seguir a carreira de medicina atrelada a de escritor. Ele é enfático em sua decisão: “claro que eu não penso em deixar de escrever, agora que comecei não paro mais”, brinca sorridente.

Atualmente, na Rede Municipal de Ensino mais de 400 alunos estão inseridos na educação inclusiva, sendo 16 com deficiência visual. O material produzido pelos estudantes será compartilhado nas escolas, e as histórias, para quem não lê, farão todo sentido na interpretação dos próprios autores mirins. Números apresentados pelo Ministério da Educação, compilados pelo Plano Nacional de Educação (PNE), ratificam que o trabalho desenvolvido na Rede Municipal de Ensino está no caminho certo.

O levantamento mostrou que no país o percentual de matrículas de alunos com deficiência cresceu (de 75,7% para 82%). No Estado de São Paulo, os dados também são promissores, mas inferiores ao índice nacional (72,1% para 77,8%). Regionalizando o assunto, Itanhaém já tinha, em 2012, 93,8% das matrículas de pessoas com deficiência. Quatro anos depois, em 2016, o Município subiu o seu índice de inclusão para 94,7%, o maior da região.

Texto e Foto: Comunicação Prefeitura de Itanhaém

 

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