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Crônica de Adão Ribeiro: METÁSTASE

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Quando, pela primeira vez, sentei-me numa carteira escolar, nunca mais me apartei dos estudos e da busca incansável pelo desconhecido. O meu comportamento inquieto, foi sempre o diferencial entre eu e os colegas de carteira, do tempo em elas eram duplas. Não é exagero dizer, que sempre sentei na primeira fileira, para estar bem próximo do mestre e dele, degustar de todo seu conhecimento. Locupletar de toda sua sabedoria e experiência de vida.

Essa ânsia pela cultura, tem-me custado horas de sofrimento e de depressão. Tenho me preocupado em demasia com a transitoriedade da vida e com a mudança de comportamento dos seres racionais, que infestam esse planeta. A terra agoniza e pede socorro, mas ninguém vê isso. A ganância desenfreada é um vírus letal, que infecta a alma humana e arrasta o corpo para o desterro do desconhecido.

Esse vírus assexuado migrou para vários segmentos da sociedade e, através das artérias desprotegidas (ética e moral), infectou o corpo inteiro (país). Uma vez alastrada a doença, pouco há que se fazer. Os cientistas e médicos (políticos) buscam remédios paliativos, o que de nada adianta. Apenas maquiam a realidade e enganam os pacientes (povo) terminais.

Na infância, aprendi que o mal se mata pela raiz. Ou ainda, que o tronco da árvore se conserta ainda novo, pois, depois de velho, não tem mais jeito. O vírus enraizado no homicídio, tráfico, roubo, furto, estupro, corrupção, lixo musical, prostituição eletrônica, apologia ao crime, dentre tantos outros males modernos, deveria ser extirpado em seu nascedouro. No entanto, sob o manto da tal democracia e do famigerado “direitos humanos”, fizeram-se vista grossa a essa doença devastadora.

Há muitos anos, a realidade nua e crua, vem apontando as falhas no tratamento dos sintomas iniciais da doença chamada violência. Medidas ineficazes e remédios falsos colaboraram sobremaneira para que a infecção transformasse numa septicemia aguda, comprometendo todo o corpo (sociedade), da cabeça (norte) aos pés (sul). O médico (governo) tinha nas mãos o bisturi (solução) para cortar na carne, os males futuros. Não o fez por incompetência ou por interesses eleitorais.

Agora que o corpo está em coma profundo, surgem medidas drásticas como que querendo salvar o que perdido está. E eu fico aqui de mãos atadas, engolindo seco o que a mídia manipuladora tenta dizer o que é certo. Vejo a sociedade seguindo por caminhos tortuosos, feito gado rumo ao matadouro. Por onde anda a esperança de dias melhores? A juventude dos “caras pintadas” está escondida no ostracismo e, por isso, prefere calar-se.

Quando meus pais levaram-me para a escola, a fim de cumprirem o dever social da minha alfabetização, não imaginaram que eu me transformaria num cronista ou um contador de história. Bendita a hora que eu manuseei, pela primeira vez, a cartilha “Caminho Suave”. Ela foi a porta aberta para o conhecimento e os questionamentos das injustiças sociais. O gosto pela leitura fez de mim um devorador de livros e, por conseguinte, um pesquisador do desconhecido.

Quanto à metástase, mencionada pelo governante maior, durante uma entrevista jornalística, resta apenas rogar a Deus por um milagre divino, a fim de curar o corpo doente.

 

Texto escrito por: Adão Ribeiro

Fundador e primeiro Presidente da Academia Peruibense de Letras. Membro da União Brasileira de Escritores. Ex-colunista dos jornais linenses “O Correio de Lins” e “Jornal Debate” Autor do livro de poesias “O Arquiteto de Ilusões” (1981)

Leia mais textos: asribeiro.blogspot.com

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