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Crônica: O reino e a camada de ozônio

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Foto de um buraco no Terminal em estado "terminal" tirada em dezembro de 2015

Preciso parar com essa mania de ficar me preocupando com tudo. É certo que não vou conseguir arrumar o mundo. O que vou conseguir, na realidade, é ganhar uma úlcera nervosa ou um AVC indesejado. Mas, por mais que eu queira, não consigo fugir das questões do dia-a-dia. Desde a infância, sou uma pessoa inquieta e sempre paguei caro por isso. Não consigo ficar sentado à beira do caminho, vendo o mundo passar numa sangria desembestada.

Não consigo me conformar com a passividade das coisas. Faço perguntas e mais perguntas, sobre o que acontece ao meu derredor. São as perguntas que movem o mundo e não as respostas. Os cientistas, pensadores, filósofos, matemáticos e os poetas, nascem dos questionamentos e do inconformismo. São esses loucos e inveterados, que fazem o mundo girar e evoluir. O mundo não os compreende, mas eles compreendem o mundo. Melhor que seja assim.

Outro dia, numa das minhas divagações, passei a me preocupar com a camada de ozônio. “Para que serve aquele troço?”, perguntei. Só de pensar, ativei minha inquietação. Lá fui eu correr atrás de livros científicos e de pesquisas virtuais. Descobri que a camada de ozônio é uma área da estratosfera (altas camadas da atmosfera, de 25 a 35 km de altitude), que possui uma elevada camada de ozônio. Esta camada funciona como uma espécie de “escudo protetor” para o planeta Terra, pois absorve cerca de 98% da radiação ultravioleta  de alta frequência emitida pelo sol. Sem essa camada a vida humana em nosso planeta seria praticamente impossível de existir.

Em 1983, pesquisadores fizeram uma descoberta que gerou muita preocupação: havia um buraco na camada de ozônio na área da estratosfera sobre o território da Antártica. A existência de buracos na camada de ozônio é preocupante, pois a radiação que não é absorvida chega ao solo, podendo provocar câncer de pele nas pessoas, pois os raios ultravioletas alteram o DNA das células. Não dormi por vários dias, depois da bendita pesquisa. Por que fui caçar sarna para me coçar?

Curiosamente, andando pelas ruas do Reino Caiçara, deparei-me com uma infinidade de buracos. Então, mais uma vez, vieram perguntas inquietantes para um cérebro que não dorme. “De onde vieram tantos buracos e quais as consequências danosas para o reino?”.  Corri até o Palácio Real, a procura de cientistas (engenheiros, políticos e aspones), onde gritei por uma resposta plausível. Ninguém me atendeu, portanto, sai decepcionado e sem entender o porquê dos buracos.

Já em casa, fui buscar resposta no meu “Dicionário de Aches”, isto é, de achar, descobrir. Então, depois de uma longa pesquisa científica, descobri que os buracos vieram das licitações fraudulentas, da péssima qualidade do material usado e da falta de fiscalização na execução da obra. Descobri, também, que com o passar do tempo, a chuva, o vento e o uso constante, fez com que os buracos aumentassem em tamanho e profundidade.

Quais seriam as consequências da não observância do que estava acontecendo e do não reparo? Resposta: danos materiais em veículos e pessoas. “Elementar meu caro Watson!” Assim como na camada de ozônio, os buracos causam danos irreversível, os do Reino Caiçara, causam danos materiais e políticos irreparáveis. Descobri, também, um buraco financeiro gigantesco intra-palácio, que pode abalar eternamente a monarquia. Se o novo rei, não fizer reparos urgentes nesse buraco, à monarquia vai se afundar cada vez mais.

Uma vez descoberto o problema, os cientistas debruçam em pesquisas, em busca de soluções imediatas, a fim de reparar os danos causados ao planeta. O mesmo se deve esperar do rei e de seus auxiliares direitos. Reparar os danos causados nos buracos das ruas é urgente. Porém, mais urgente ainda, é cuidar de estancar o buraco financeiro, pois se esse continuar aumentando, o Reino Caiçara se afundará num despenhadeiro sem fim.

Se isso acontecer, o Reino Caiçara será apenas um quadro pendurado na parede. Nossa, como dói!

Foto: Lucas Galante

Texto escrito por: Adão Ribeiro

Fundador e primeiro Presidente da Academia Peruibense de Letras. Membro da União Brasileira de Escritores. Ex-colunista dos jornais linenses “O Correio de Lins” e “Jornal Debate” Autor do livro de poesias “O Arquiteto de Ilusões” (1981)

Leia mais textos: asribeiro.blogspot.com.br

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