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Área de abrangência da Zona Azul espanta consumidor e prejudica comércios de Peruíbe

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O Estacionamento Digital no Centro de Peruíbe conseguiu criar vagas rotativas, porem afastou o consumidor dos comércios.

No dia 16 de maio começou a valer a área Zona Azul com 870 vagas distribuídas nas principais ruas do Centro e Estação.

Sem nenhum comunicado ou qualquer tipo de diálogo, a prefeitura não quis saber a opinião dos comerciantes, dos moradores, da população em geral e quem determinou a área de atuação, o perímetro de atividade da Zona Azul foi a prefeitura e não a empresa.

A Zona Azul possui 870 vagas distribuídas nas principais ruas do Centro e Estação

A empresa até admite que o perímetro de atuação poderia ser menor, mas para poder diminuir é a prefeitura quem pode autorizar a mudança.

Wesley Silva, 20 anos, é o responsável pela base de operação do Estacionamento Digital em Peruíbe. Ele aceitou responder algumas perguntas do Jornal BEM-TE-VI.

“Peruíbe ficou sem Zona Azul aproximadamente quatro anos e isso acostumou os comerciantes a pararem o carro em frente a sua loja o dia inteiro e agora devido a tarifa e a proposta de rotatividade as pessoas criam outros meios de vir para o Centro, elas acabam vindo ou de bicicleta ou de ônibus e assim desafoga o bairro. Por exemplo, antes você passava pelas vias e não encontrava vaga, hoje você já encontra 6 a 7 vagas disponíveis”, explica.

Segundo Wesley a empresa faturou neste primeiro mês de atuação cerca de R$ 50 mil, sendo que 20% deste valor é repassado ao Fundo Social da Prefeitura. Ele explicou ainda que para adquirir o crédito para utilizar a vaga rotativa a empresa fornece cinco vias de compra. “Você pode comprar com o monitor na rua, por mensagem SMS, pelo nosso aplicativo, pelo nosso site e nos pontos de venda pela cidade, hoje temos seis pontos”, disse Wesley.

Ruas mais distantes também são vagas rotativas e incomodam os moradores

O Jornal BEM-TE-VI possui diversos anunciantes que trabalham no Centro e a reclamação principal é que o consumidor agora passeia com pressa pelas lojas da cidade, causando queda nas vendas de muitos lojistas.

“Agora nossos clientes entram na loja para comprar o que precisam e já vão embora com pressa, com medo de passar o tempo que foi comprado. Antes o consumidor passeava tranquilo, acabava gastando mais. Com a crise, custos mais caros, governo municipal que não incentiva com nenhuma ação para atrair o consumo, pelo contrário cria ações de cobrança, com certeza só prejudica nossos negócios, fica difícil se manter nadando contra maré deste jeito”, lamenta comerciante que tem loja no Centro.

Além disso, eles reclamam que o consumidor que vem com frequência no Centro não quer gastar todos os dias para estacionar o carro em via pública.

“Nós já pagamos IPVA e se eu quero parar por mais de três horas no Centro, no mínimo vou acabar gastando R$ 6,00 para mais. Em Peruíbe isso deveria ser somente em algumas ruas, não assim, praticamente no bairro todo. Isso demonstra um desespero para conseguir dinheiro de qualquer jeito, independente da satisfação de consumidor e comerciante, no mínimo uma atitude egoísta”, desabafa o morador Guilherme Ferreira

“Não foi só para desafogar o Centro, o motivo é financeiro, é ganhar dinheiro, pois se não teria a Zona Azul só nas avenidas principais, mas aí colocaram aqui, ali, em quase todas as ruas do bairro, você percebe que é de propósito para forçar o consumidor ter que pagar para estacionar o carro, pois até as ruas mais distantes estão sendo tarifadas” fala o comerciante que prefere não ser identificado.

Os comerciantes que precisam estacionar o carro por horas no Centro, começaram a virar mensalistas de estacionamento particular. Os que não estão estacionando nos estacionamentos tem parado o veículo na Rua Olinda de Oliveira já que o local por enquanto encontra-se sem zona azul.

Rua Olinda de Oliveira por enquanto encontra-se sem zona azul

O Jornal BEM-TE-VI também conversou com diversos consumidores no Centro e pode constatar a insatisfação de ter que pagar por uma vaga pública.
“Eu não gostei desta atitude, faltou saber se nós gostaríamos de ter zona azul na cidade não é verdade?” questiona Maria Dolores Fernandes.

A Estação até o fechamento desta edição está sem a zona azul funcionando, mesmo com as placas e a sinalização, a empresa admite que a região tem tido atritos, consumidores reclamando com os monitores por não aceitarem a nova regra. Para não faltar o “eu avisei” a empresa está instalando mais placas para poder ter monitores em ação novamente na Estação.

Obs.: Esta reportagem foi publicada na Edição nº 29 no jornal impresso de Junho / Agosto de 2016

Texto e Fotos: Lucas Galante

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