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Para especialista em Meio Ambiente, incêndio pode ter sido causado por “erro grosseiro”

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INCÊNDIO NA LOCALFRIO – O incêndio no terminal da LocalFrio em Vicente de Carvalho pode ter sido causado por um “erro grosseiro”. A opinião é de Rogério Machado, professor de Química e Meio Ambiente da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Para ele, o ácido de cloro isocianúrico de sódio, que entrou em combustão provavelmente por causa da água da chuva, deveria estar absolutamente protegido do líquido em grandes quantidades. Ele não descartou, entretanto, que possa haver algum outro produto químico de alta combustão envolvido. “É uma incógnita, por enquanto”, afirmou.

Machado explicou que o ácido dicloroisocianúrico é armazenado em estado sólido. O professor esclarece que o produto, assim como qualquer outro à base de cloro, causa queimaduras nas vias respiratórias e ataca olhos e pele. Ele aponta que o maior perigo para o ser humano é a intoxicação pelo gás e, caso seja inalado em grande quantidade, pode até mesmo matar.

 

Moradores de diversos bairros de Santos sentem odor de gás tóxico no fim da noite de quinta (14)

SANTOS – Os moradores de diversos bairros da cidade, no fim da noite de quinta-feira (15), sentiram o cheiro forte de gás tóxico proveniente do incêndio no terminal da Local Frio, em Vicente de Carvalho, em Guarujá. O local, que fica na margem esquerda do porto de Santos, foi atingido pelas chamas por volta das 15h30 de quinta-feira (14).

Pelas redes sociais muitos munícipes relatam avistar uma fumaça densa pelas janelas das casas e apartamentos, e também sentir um forte cheiro do gás tóxico. Os registros foram feitos desde os bairros Marapé, no canal 1, até a Aparecida, no canal 5. O odor foi sentido pelos moradores por volta das 22h30.

No final da noite, a prefeitura de Santos divulgou uma nota oficial sobre o problema. Confira na íntegra:

A Defesa Civil de Santos em conjunto com a Defesa Civil do Estado de São Paulo esclarece que a névoa de fumaça verificada em diversos bairros de Santos é proveniente do incêndio em Guarujá. A Defesa Civil de Santos está nas ruas monitorando a situação permanentemente e informa que a fumaça é de baixa intensidade. Em razão dos ventos que estão indo em direção ao mar, a tendência é que a nuvem se disperse até a madrugada. O órgão aconselha às pessoas mais sensíveis que permaneçam em locais abrigados, de preferência, com portas e janelas fechadas. Até o momento, não foram registradas ocorrências graves ligadas ao caso nas unidades de saúde da Cidade, que permanecem abertas para eventuais ocorrências.

Médico explica que névoa tóxica pode causar diversas reações à saúde

 

SAÚDE – A névoa produzida pelo vazamento de gases tóxicos no terminal portuário da Local Frio, em Guarujá, preocupa os moradores da região quanto a saúde. Segundo o médico patologista Ricardo Camilo, o material que é levado facilmente pelo ar, e é fortemente irritativo, pode provocar diversas reações no corpo humano.

Camilo explica que em casos de mal estar, a pessoa não deve provocar vômito, pois os gases provocam irritação nas mucosas em geral. Por isso, o médico orienta que neste período é recomendável fazer uma alimentação leve e se hidratar bastante com água e sucos.

Moradores próximos ao local também podem apresentar problemar respiratórios, afirma o patologista. Em caso de dificuldades ele ressalta que um médico deve ser procurado o quanto antes e alerta que máscaras cirúrgicas e panos para vedar frestas de janelas e portas são alternativas para se proteger da fumaça.

Quanto aos olhos, o especialista diz que vermelhidão e lacrimejamento podem ocorrer. “A recomendação é lavá-los bem com água filtrada ou passar algodão úmido. Nas farmácias é possível comprar o colírio de lágrima artificial, que não possui contra-indicações e é utilizada para olhos secos. Caso não melhore, a pessoa deve procurar um pronto-socorro”, conta.

A pele também pode apresentar reflexos da exposição aos produtos como vermelhidão e coceira. Ele indicado a aplicação de medicação tópica anticoceira, semelhante as utilizadas em casos de queimaduras do sol. “Aqueles que ficaram mais expostos a fumaça podem ter formigamento por conta de queimadura química. Os cabelos também tendem a ficar com aspecto endurecido”.

Outra dica do patologista para evitar irritações na pele é lavar novamente a roupa que ficou exposta no varal durante à noite. “Os tecidos podem estar saturados com os materiais tóxicos e causar alergia”, finaliza.

Texto e Fotos: santaportal.com.br

Postagem: Lucas Galante

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