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Avião de Eduardo Campos cai e sete pessoas morrem em Santos

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   Eram quase 10 horas, estava editando o Jornal BEM-TE-VI quando de repente um barulho forte tremeu as janelas do apartamento. Mesmo estando há quatro quadras do local, da queda do avião, não havia como saber que uma aeronave tinha caído. 

   Em menos de dez minutos do barulhão, a notícia já corria pelas redes sociais. Ao saber que havia sido nas imediações da Rua Alexandre Herculano, próximo à esquina com a Rua Vahia de Abreu, no Boqueirão, peguei a mochila, a câmera fotográfica, a capa de chuva e fui até o local.

   No caminho, haviam pessoas correndo com medo, em choque e gritando. Ao chegar no local, o desespero por parte dos moradores no entorno, era mais que perceptível, dava para sentir o susto que foi para quem estava tão perto da tragédia. 

   As ações da polícia, ambulâncias e bombeiros foram  imediatas. As ruas foram bloqueadas, faixas separavam os curiosos, para não aglomerar um número grande de pessoas no local e deixar o espaço para quem estava trabalhando para socorrer as vítimas do ocorrido.

   Na hora da tragédia, ventava muito e o tempo estava ruim. Moradores disseram que o avião pegava fogo quando caiu. A aeronave caiu no quintal de uma residência, atrás de uma academia de ginástica. 

   Onze pessoas ficaram feridas. Todos foram liberados, exceto um bebê de 1,5 ano que está em observação na Santa Casa de Santos, mas passa bem e deve ter alta nesta quinta-feira. Os nomes das vítimas não foram divulgados.

   Segundo informações do Comando da Aeronáutica, a aeronave que caiu foi um Cessna 560XL, prefixo PR-AFA, que decolou do Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, com destino à Base Aérea de Guarujá. Quando se preparava para o pouso, arremeteu devido ao mau tempo. Em seguida, o controle de tráfego aéreo perdeu contato com o avião.

MORRE EDUARDO CAMPOS


   A queda do avião matou o presidenciável Eduardo Campos e outras seis pessoas: Alexandre Severo Silva( fotógrafo),  Carlos Augusto Leal Filho (assessor),  Geraldo Magela Barbosa da Cunha(piloto),  Marcos Martins (piloto), Pedro Valadares Neto e Marcelo de Oliveira Lyra.

   A Polícia Federal enviou seis peritos para Santos a fim de trabalhar na apuração da causa do acidente. Aeronáutica e Polícia Civil também vão investigar.

   Em Santos, Marina Silva, candidata à vice-presidência na chapa de Campos, disse que a tragédia impõe luto e profunda tristeza. “Durante esses dez meses de convivência aprendi a respeitá-lo, admirá-lo e a confiar nas suas atitudes e nos seus ideais de vida. Eduardo estava empenhado com esses ideais até os últimos segundos de sua vida.”


   O governador Geraldo Alckmin (PSDB) se deslocou para a cidade depois de tomar conhecimento da morte de Campos. “Estamos diante de uma tragédia que entristece todo o país. Quero em nome do povo de São Paulo trazer nossos sentimentos a todos os familiares das pessoas que perderam a vida nesse acidente”, afirmou Alckmin.

   A presidente Dilma Rousseff decretou luto oficial de três dias. “Estivemos juntos, pela última vez, no enterro do nosso querido Ariano Suassuna. Conversamos como amigos. Sempre tivemos claro que nossas eventuais divergências políticas sempre seriam menores que o respeito mútuo característico de nossa convivência”, afirmou a presidente em nota oficial.

CORPOS ENCONTRADOS

   Os bombeiros localizaram na madrugada desta quinta-feira a cabine do avião do candidato a presidente Eduardo Campos (PSB), que caiu em uma casa no bairro do Boqueirão, em Sanots.  No interior, partes de corpos foram visualizadas.

   Os bombeiros concentravam as buscas desde a tarde de quarta-feira em uma área onde suspeitavam estar a cabine, embaixo de uma laje de uma das casas atingidas. Eles passaram a trabalhar no local com retroescavadeiras e manualmente. Segundo o capitão Marcos Palumbo, a carteira do político e outros documentos estavam juntos aos restos mortais que foram localizados durante uma escavação no terreno. 

   “Às 5h10, a equipe conseguiu localizar parte de um corpo e uma carteira. Verificamos que era do candidato Eduardo Campos”, anunciou Palumbo.
Ainda de acordo com o capitão do Corpo de Bombeiros, os restos mortais estão compactados na região onde caiu a aeronave, o que tem dificultado as buscas.

   “Foram cavados alguns metros cúbicos de terra e areia onde encontramos pedaços de fuselagem que foram destruídos no momento do impacto. Ali temos uma área que não é delimitada pelos corpos das vítimas. Eles estão bem separados. Ainda tem pedaços de corpos que são encontrados de forma aleatória. Eles estão muito compactados na terra do quintal da casa”, explicou o bombeiro.

   Tudo leva a crer que a aeronave se chocou de frente ao chão, causando o enterramento da mesma ao solo, segundo Palumbo. Uma parede, que dificultava o acesso dos agentes,  foi derrubada pela retroescavadeira. Durante as escavações, documentos dos tripulantes também foram encontrados além de partes do avião e dos cadáveres das vítimas.

IMÓVEIS INTERDITADOS


   O comandante também declara que os imóveis nos arredores passarão por vistoria da Defesa Civil ao longo dia para averiguação de possíveis danos que comprometam suas estruturas. A expectativa inicial era que os populares pudessem retornar até o fim da noite. Segundo o Corpo de Bombeiros, 13 imóveis foram interditados, como moradias, sobrados, estabelecimentos comerciais e uma escola infantil. 

   “Até o momento eles não podem voltar para casa, pois os trabalhos prosseguem e só após os encerrarmos é que as pessoas serão liberadas, uma a uma, para reocupação”, explicou Daniel Onias, coordenador da Defesa Civil de Santos.

   Próximo ao local das buscas, era possível ver pedaços de fuselagem da aeronave enroscados em um bambuzal. Duas partes da turbina foram parar dentro de uma casa.

   Após retirar a laje, os bombeiros localizaram a cabine do avião, que está enterrada a cerca de três metros de profundidade e 10 de diâmetro.  Ainda não há previsão para a conclusão do trabalho de busca, mas esta e a última área que faltava para o corpo de bombeiros vasculhar.

MAU TEMPO


   O delegado afirma que a chuva e o vento em Guarujá impediram o avião de aterrissar e a torre de controle pediu que sobrevoasse a região, motivo pelo qual o piloto decidiu dar uma volta sobre a vizinha cidade de Santos para esperar que melhorassem as condições meteorológicas.

   “O que supomos é que o piloto buscou uma área isolada, perto de uma piscina, uma área bastante aberta para forçar a aterrissagem, mas o avião explodiu”, comentou Galeano, para quem uma das questões a resolver é se a explosão da aeronave aconteceu no ar ou com o impacto.

CAIXA-PRETA JÁ ESTÁ EM BRASÍLIA

   O Comando da Aeronáutica informou nesta quinta-feira,  por meio de nota, que a caixa-preta do avião que transportava o candidato à Presidência Eduardo Campos (PSB) já chegou a Brasília, onde será analisada. 

  O equipamento foi encaminhado para o Laboratório de Leitura e Análise de Dados de Gravadores de Voo (Labdata) do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), onde foi iniciado o processo de desmontagem para o acesso à memória interna e avaliação das condições de leitura dos dados.

  Segundo a Aeronáutica, os demais destroços estão sendo concentrados para avaliação dos investigadores. “No decorrer da investigação será definido o destino das peças para análises e pesquisas”, diz a nota.

  O gravador de voz contido na caixa-preta traz os 30 últimos minutos de conversa na cabine, assim como as conversas com o funcionário de terra da base aérea de Santos.

  O piloto do avião entrou em contato com a estação de rádio da base aérea de Santos ou aeroporto do Guarujá como é conhecido, informando que ia fazer procedimento de pouso. Em seguida, o piloto se comunicou novamente com o funcionário da base e avisou que não tinha encontrado visualmente a pista de pouso e arremeteu. Em seguida, não houve mais comunicação e ocorreu a queda.

Operários confirmam que avião bateria em prédio, mas conseguiu desviar

   Três operários que trabalhavam na construção anexa à Faculdade de Educação Física da Universidade Metropolitana de Santos (Unimes), confirmaram ter visto o avião desviar de um prédio.

  O empreendimento fica entre a Rua Barão de Paranapiacaba e a Avenida Francisco Glicério, a poucos metros da tragédia. Cláudio Gilson Carvalho Silva, de 41 anos, estava em uma laje que equivale ao quinto andar. “Ele (o avião) passou por cima, diria que cerca de 100 metros. Ia bater num dos prédios na frente, mas conseguiu desviar. Assim que fez a manobra, embicou pra baixo e caiu”.

   Ele disse que viu fogo, mas não na turbina. “Estava na asa esquerda. E dava pra perceber que o piloto estava controlando o avião meio de lado e que tinha muita velocidade. Quando tirou do prédio, mergulhou. Procurei me escorar na parede e logo depois veio o vácuo. O prédio todo tremeu”.

   A tragédia deixa tristeza profunda aos familiares de todos que estavam no avião. Eduardo Campos deixa esposa e cinco filhos. 

Edição e texto de introdução:
Lucas Galante 
Com informações e fotos dos portais de notícias 

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