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Ruínas do Abarebebê: Detalhes da primeira igreja do Brasil

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Ruínas do Abarebebê, fotos de 2013 – Márcio Ribeiro
 As Ruínas do Abarebebê são um importante ponto turístico e cultural
do Brasil. E fica em Peruíbe! Muitos moradores ainda não conhecem
este sítio arqueológico. O Jornal Bem-Te-vi veio, nesta edição,
tentar atrair os moradores para a montanha onde ela se localiza,
ciente que, na verdade, está levando as Ruínas para todos os
leitores do Jornal. Lembrando que Abarebebê é um nome indígena e
significa “padre voador”, em referência a Leonardo Nunes, que
se deslocava com facilidade pela região.

Se pensarmos que os índios se utilizavam das montanhas como ponto de
referência, as Ruínas do Abarebebê fica mesmo em um ponto muito
estratégico, pois além de ter o morro do Bairro dos Prados de um
lado, duas ilhas ficam bem alinhadas à sua frente, orientando bem
os viajantes, de acordo com as observações do Professor de
História Eduardo Sanchez.

A igreja é tombada pelo CONDEPHATT (Conselho de Defesa do
Patrimônio Histórico e Arqueológico e Turístico) e muitos a
consideram como a primeira do Brasil.

A sua construção data de 1532 e o responsável foi o Padre Leonardo
Nunes, primeiro jesuíta a pisar na Capitania de São Vicente. Por
aqui, ele organizou a catequização e a libertação de índios
escravizados. Deste sítio arqueológico, já foram resgatadas mais
de 50 mil peças, a maioria de um trabalho feito no final da década
de 80, sendo que, grande parte delas, encontram-se no Museu de
Arqueologia da USP.

Dentre todas as peças, a mais rara é a pia batismal, feita no
século XVI, talhada em uma única pedra, que foi retirada por
Benedito Calixto em 1908. Hoje, ela encontra-se em uma área nobre do
Museu do Ipiranga, em São Paulo.

Logo na entrada das Ruínas há três painéis informativos com fotos
das décadas de 1920 e 1940 (acervo do Museu de Imagem de Taubaté)
feitas pelo fotógrafo Paulo Camilher Florençano. Há também um
desenho de 1776 feito pelo engenheiro militar português José
Custódio Sá e Faria, onde ele reconstituiu o formato original da
igreja. Ao todo, são 11 painéis espalhados pelo sítio arqueológico
com as mais variadas informações, que dão um respaldo nas
explicações passadas pelos monitores e guias locais.

A escada que dá acesso à igreja é feita de pedras e possui sete
degraus que simbolizam os pecados capitais, comum nas igrejas
construídas naquela época. Como não é permitido pisar neles, foi
instalada, há vinte anos, uma escadaria de madeira e que hoje está
muito desgastada pelo tempo. O visitante que for passar ali, deve ter
muita atenção para não se machucar. Segundo a historiadora, Fátima
Cristina Pires, a Prefeitura de Peruíbe já está ciente do problema
e dá sinais de que vai resolver tudo até o final do ano.

Passando pelas escadas, chega-se ao batistério e dali não é muito
difícil imaginar padres de pele branca vestidos de batina,
contrastando com os índios semi-nus. Uma breve olhada para o mar e
muitas caravelas atracadas nas ilhas do Guaraú e de Peruíbe,
utilizadas em outrora pelas embarcações que comercializavam
escravos.

O enorme espaço onde está o sítio arqueológico é muito agradável
de se visitar, pois tem um enorme gramado, frondosas árvores de
Jambolão, pássaros cantando e a incansável brisa do mar. Na
entrada,um funcionário pede para as pessoas assinarem o livro de
presença, onde constam registros de diversas cidades do país,
principalmente da capital paulista.

As Ruínas do Abarebebê recebe cerca de 60 pessoas por semana e está
aberto de quarta a sexta-feira, das 10 às 16 horas. Sábados,
domingos e feriados funciona das 11 às 17 horas. O valor de entrada é R$ 1,00.

Leonardo Nunes e o Bem-Te Vi

 Para os frequentadores do Centro Espírita Leonardo Nunes, na
Capital, Leonardo Nunes se faz presente na forma de um Bem-Te-Vi.
Quando as preces são dirigidas a ele, e se a reposta for positiva,
um Bem-Te-Vi canta em seguida perto do devoto. No sítio arqueológico
Ruínas do Abarabebê, construído pelo padre, há muitos Bem-Te-Vis
cantando por todos os cantos.
Texto e fotos: Márcio Ribeiro
OBS: Esta matéria foi publicada na oitava edição do Jornal Bem-Te-Vi

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